Livro de Natália Ginsburg, italiana nascida em Palermo em 1916, numa família de intelectuais judeus. Cresceu em Turim. Teve três filhos com o professor, editor e militante Leone Ginzburg, preso pelas forças fascistas e assassinato no cárcere em1944, aos 35 anos.
O livro é ótimo, foi indicado pela Rosely Sayao.
Retalhos de um trecho:
" No que diz respeito à educação dos filhos, penso que se deva ensinar a eles não as pequenas virtudes, mas as grandes. Não a poupança, mas a generosidade; não a prudência, mas a coragem; não a astúcia, mas a franqueza e o amor à verdade; não a diplomacia,mas o amor ao próximo; não o desejo do sucesso, mas o desejo de ser e de saber.
...A educação não é outra coisa senão um certo vínculo que estabelecemos entre nós e nossos filhos, certo clima no qual florescem os sentimentos, os instintos, as ideias.
...Na educação, o que deve estar no centro de nossos afetos é que nossos filhos nunca percam o amor à vida.
...O nascimento e o desenvolvimento de uma vocação demandam espaço, espaço e silêncio, o livre silêncio do espaço. A relação que ocorre entre nós e nossos filhos deve ser uma troca viva de pensamentos e sentimentos, mas também deve compreender largas zonas de silêncio.
Deve ser uma relação íntima, sem no entanto misturar-se violentamente com a intimidade deles; deve ser um justo equilíbrio entre silêncio e palavras.
...Devemos ser importante para nossos filhos e, contudo não demasiado importantes; devemos fazer com que gostem de nós, mas não demais; devemos manter uma relação de amizade, contudo não devemos ser excessivamente amigos, para que eles não tenham dificuldades em fazer verdadeiros amigos, aos quais possam dizer coisas que silenciem conosco.
....Devemos ser para eles um simples ponto de partida, oferecer-lhes o trampolim de onde darão o salto. E devemos estar ali para qualquer socorro, caso seja necessário; eles devem saber que não nos pertencem, mas nós, sim, pertencemos a eles, sempre disponíveis, presentes no quarto ao lado, prontos a responder como pudermos a qualquer pergunta possível, a qualquer pedido.
...Se tivermos uma vocação, se continuamos a amá-la no decurso dos anos, podemos manter longe do coração, no amor que sentimos pelos nossos filhos, o sentimento de posse.
Porém, se não a tivermos, nos agarramos aos nossos filhos como náufragos ao tronco da árvore, pretendemos vigorosamente que devolvam tudo o que lhe demos, que sejam absolutamente tais como nós os queremos, que obtenham da vida tudo o que nos faltou; queremos que sejam nossa obra em tudo, como se fossem não seres humanos, mas obra do espírito .