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domingo, 26 de setembro de 2010

Ganhei Coragem

Texto de Rubem Alves :
"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega:"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Tardiamente. Na velhice.Como estou velho, ganhei coragem.
Vou dizer aquilo sobre o que me calei: "O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo. Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo. Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere. A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos. E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou. Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos. E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: "Agora você será minha para sempre." Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro "O Homem Moral e a Sociedade Imoral" observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo. Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusama ser assimilados à coletividade.
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.
O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O povo, unido, jamais será vencido!
Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos. Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno", à semelhança do que aconteceu na China. De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: - "Caminhando e cantando e seguindo a canção..." Isso é tarefa para os artistas e educadores. O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança... Rubem Alves

11 comentários:

  1. Oi,Sonica!Adoro Rubem Alves e realmente ele tem razão.O povo unido perde a razão e é capaz de atrocidades mesmo, basta ver a política no Brasil, as pessoas votam no candidato, mais bonitinho, mais fotogênico que beija mais crianças...
    Uma ótima semana!
    Beijosss

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  2. Oie...
    adorei o texto,...
    tennha uma ótima semana...
    bj flor

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  3. Oi Sonica! Sou nova por aqui e tô adorando seu blog! Já incluí ele na minha lista de favoritos...Quando puder, dá uma passadinha lá no meu cantinho...Beijos!

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  4. Plac, plac, plac, plac!
    Palmas para o Rubem Alves e claro para você Sonica, que além de ler este belo texto ainda compartilha conosco!!
    Um forte abraço, passe mais vezes no blog gostei muito da sua visita!
    Cora.

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  5. Eu é que não consigo de acompanhar com um texto tão bom. Escolha certa para o momento do país.

    Mas o que mais me chamou a atenção é uma frase simples, verdadeira e sempre esquecida: "As mentiras são doces; a verdade é amarga."

    E nos deixamos cair na mentira, diariamente, nas pequenas e grandes coisas...

    Beijos

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  6. Sonica!
    Adorei o blog da minha xará (sua filhota)!
    Vamos que vamos!
    Boa semana pra vc, flor! Beijos

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  7. Oi flor
    Belo texto..
    Semana começando, vamos com força total
    beijosss

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  8. Ah, Sonica
    Um dia quando tu atravessares o oceano para visitar essa grande família, irei lá te dar um abraço e depois te trago para Viena.
    Sou assim mesmo carente de mãe. Como a minha nunca pode me visitar, adoto todas as mães das amigas que chegam por aqui.È uma delicia!

    Beijos

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  9. Sonica,
    este texto trouxe tudo que estou sentindo, morro de saudades do Brasil mas dá uma preguiça do povo... pena que nao vamos conseguir votar, a burocracia não deixou.
    vem logo!

    beijos
    Junior

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  10. Ainda há esperança, minha querida!

    ;)

    Beijo e ótimo dia pra ti também!

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  11. Oi minha querida,obrigada pela preocupação, aos poucos estou colocando minha vida em ordem e já já estou voltando,ótima tarde, beijos

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